Fala meu povo!
O tema de hoje é muito interessante, uma língua europeia basicamente falada no Brasil. O dialeto pomerano se parece com o holandês e alemão, apesar de ser diferente. Pertence a um grupo de idiomas falados na região do Mar Báltico, local gelado que veio mudando de país ao longo dos anos.
No final do século XIX, a Alemanha era um país recém-criado (1871), muitos dialetos eram falados. A junção de vários reinos trouxe uma série de problemas, entre eles disputas e perseguições. Outro problema foi a industrialização, que causou grande perda de empregos no campo e consequente êxodo rural.
Graças a tantas questões, vários alemães deixaram o país em busca de uma vida melhor em outros cantos do mundo. O Brasil, país enorme e pouco povoado na época, foi um dos principais destinos.
Muitos imigrantes chegaram por aqui vindos da Europa em geral. No Espírito Santo, os pomeranos representavam 2/3 dos alemães que desembarcaram. Também vieram para o Sul do Brasil, em especial SC e RS. Obviamente, trazendo junto a língua original.
Na Alemanha do século XX os dialetos e línguas paralelas foram sendo marginalizados. Aos poucos, o alemão padrão foi se tornando o idioma de todos. Quem veio para o Brasil ficou livre dessa padronização, continuando a falar suas línguas originais, que foram sendo esquecidas no Velho Continente.
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O que motivou a resistência do pomerano por aqui é fácil de se entender. Os imigrantes que chegaram, em sua maioria, foram morar em locais inóspitos, afastados da população brasileira em geral. Isso é óbvio, levando em consideração que eram pobres e foram viver onde ninguém mais queria. Outro motivo era a preferência por locais com relevos elevados e acidentados, com climas parecidos a região natal. Dessa forma, não tinham a pressão de falar alemão clássico, nem o português, mantendo o pomerano como língua diária.
Nos municípios de Pomerode-SC (observem o nome) e Santa Maria de Jetibá-ES, descendentes de alemães continuam falando pomerano até hoje. Existem festas típicas exaltando a magnífica origem desse povo.
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Publicado em 21.07.2020